ICH Q3E: Extraíveis e Lixiviáveis em Foco
Dando continuidade à nossa série sobre impurezas, hoje trazemos o mais recente guia do ICH, o Q3E, publicado em agosto de 2025 e atualmente sob consulta pública. Esse guia aborda de forma detalhada os extraíveis e lixiviáveis, fornecendo orientações para a avaliação de risco e para o controle dessas impurezas. O objetivo final é claro: garantir a segurança do paciente e a qualidade dos produtos farmacêuticos.
Extraíveis x Lixiviáveis: qual a diferença?
Antes de mergulhar nas diretrizes, vale revisitar os conceitos:
- Lixiviáveis: são contaminantes químicos que migram de materiais de fabricação, embalagem ou dispositivos de administração (como nebulizadores, seringas, conta-gotas) para o medicamento durante seu ciclo de vida.
- Extraíveis: são substâncias que podem ser extraídas intencionalmente desses mesmos materiais, em condições específicas, com o objetivo de identificar potenciais lixiviáveis.
Em outras palavras: quando um estudo de extraíveis é bem planejado, os lixiviáveis devem ser um subconjunto do que foi previamente identificado.
Escopo do guia Q3E
O Q3E abrange diferentes categorias de produtos, entre eles:
- Novos produtos farmacêuticos
- Produtos com formulação, fabricação, dosagem ou armazenamento modificados
- Terapias gênicas e celulares
- Combinações de dispositivos que requerem autorização de marketing
- Produtos biológicos
O foco do guia está nos lixiviáveis orgânicos. Já as impurezas elementares ficam de fora do escopo, pois são tratadas no ICH Q3D.
Avaliação de risco: o passo a passo proposto pelo Q3E
O guia fornece um fluxo estruturado para avaliação de risco de lixiviáveis, que envolve quatro etapas principais:
- Identificação do perigo: reconhecer os extraíveis e lixiviáveis de risco; avaliar perigo x exposição; integrar dados químicos, toxicológicos e de qualidade.
- Controle do risco: aplicar medidas de mitigação e, quando necessário, realizar a qualificação do risco.
- Sinalização do risco: comunicar às agências regulatórias os resultados da avaliação realizada.
- Gerenciamento do ciclo de vida: acompanhar desde a revisão inicial até a descontinuação do produto.
Esse processo não é linear: se o controle não atingir os resultados esperados, pode ser necessário retornar à etapa anterior. O mesmo vale para ajustes ao longo do ciclo de vida.
O papel do Analytical Evaluation Threshold (AET)
Um dos pontos centrais do Q3E é a definição do Analytical Evaluation Threshold (AET), que representa o limite a partir do qual extraíveis e lixiviáveis precisam ser identificados, quantificados e avaliados quanto ao risco toxicológico.
A determinação de um AET adequado envolve:
- Escolha de um limite de segurança (Safety Concern Threshold – SCT), como o Threshold of Toxicological Concern (TTC) definido no ICH M7.
- Aplicação de fatores de segurança para compensar diferenças de resposta analítica entre moléculas.
Se for identificado um lixiviável acima do AET, torna-se necessária uma avaliação toxicológica específica. Para isso, a elucidação estrutural é fundamental, permitindo relacionar a substância a potenciais efeitos adversos e buscar dados específicos ou inferências a partir de compostos análogos.

Por que o Q3E é importante?
O novo guia representa um avanço significativo, pois harmoniza práticas relacionadas a estudos de extraíveis e lixiviáveis e traz clareza ao processo de gerenciamento de risco. Isso abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos mais seguros e confiáveis.
Conclusão
O ICH Q3E reforça a importância de compreender em profundidade as impurezas que podem surgir ao longo do ciclo de vida de um medicamento. Ao estruturar a avaliação e o controle de risco, o guia contribui diretamente para a segurança do paciente e para a qualidade do produto.
Para nós da Spektra, este é mais um passo em direção ao futuro da segurança farmacêutica, e seguimos comprometidos em transformar essas diretrizes em soluções práticas para nossos clientes.
Como a Spektra pode te ajudar?
Na Spektra, entendemos que a correta condução desses estudos — da definição de AETs até a avaliação toxicológica — é essencial para atender às expectativas regulatórias e proteger os pacientes. Pensando nisso, estamos preparados para apoiar a indústria farmacêutica nesse desafio, oferecendo nossa expertise na interpretação e aplicação das diretrizes do Q3E.
Para saber mais
Agora que você já conhece uma previa sobre o ICH Q3E, novos questionamentos podem ter surgido. E para isso, convidamos vocês a assistir ao nosso podcast, onde abordamos mais sobre esse assunto e muito mais.
https://www.youtube.com/@PasteurlariaPodcast/playlists Além disso, nos acompanhe por aqui pois traremos muita coisa para vocês ou deixe suas dúvidas nos comentários.



